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Património de Óbidos 


De origem romana, o Castelo de Óbidos é uma das atrações históricas mais importantes da Região Oeste, uma vez que dentro das suas muralhas realizam grandes eventos, que em conjunto tornam Óbidos um dos locais mais atrativos para visitar e partilhar experiências. A Vila d'Óbidos apresenta uma seleção de monumentos históricos, culturais e artísticos que impressionam os seus visitantes.

Monumentos
  • Castelo – de origem romana, assente num castro, este foi uma fortificação sob o domínio árabe. Após a sua conquista pelos cristãos, este foi várias vezes reparado e ampliado. Durante o reinado de D. Manuel I, o seu alcaide ordena a construção de um paço e a remodelação de partes do castelo. No Paços dos Alcaides encontram-se janelas de recorte manuelino e no portal encimado pelas armas reais e da família Noronha. Com o terramoto de 1755, o Paço sofreu bastantes danos, estando quase em ruínas, até ao século XX, que foi recuperado e requalificado para instalar a Pousada, sendo considerada a primeira pousada do Estado instalada num edifício histórico. 
  • Porta da Vila – na entrada principal da vila de Óbidos, é encimada pela inscrição “A Virgem Nossa Senhora foi concebida sem pecado original”, erguida a comando do rei D. João IV, de forma agradecer à Padroeira a sua proteção, aquando a Restauração da Independência em 1640. No seu interior, está a capela-oratório de Nossa Senhora da Piedade, Padroeira da Vila, acompanhado por um varandim barroco e azulejos azuis e brancos, expondo a Paixão de Cristo, na Agonia de Jesus no Horto e Prisão de Jesus.
  • Porta do Vale/ Senhora da Graça – porta de acesso à vila pelo lado da nascente, no seu interior encontra-se uma capela-oratório dedicada à Nossa Senhora de Graça. Neste local pensasse ter existido um nicho com uma imagem oferecida em ação de graças, após o cerco de 1246, discórdia entre D. Sancho II e D. Afonso III, reza a tradição. Esta capela foi reformada em 1727, pelo magistrado da Índia, Bernardo de Palma, como promessa a sua filha, que morreu de amores, transformando o torreão num templo, com uma capela-mor, retábulo, coro, tribuna e sacristia, a sua nave é a passagem da rua pelo seu interior. 
  • Rua Direita (Rua Principal) – reconhecida por esta designação, já no século XIV, esta liga a porta da Vila ao Paço dos Alcaides. Nos séculos XVI e XVII, esta rua teve grandes transformações, ocultando alguns portais góticos das casas. 
  • Igreja de São Pedro – fundada no período medieval, a sua construção conserva vestígios do antigo portal gótico na sua fachada. No século XVI, foi reformada, mas subsistiu o portal principal num estilo clássico, a capela batismal coberta por uma cúpula assente em trompas concheadas e a escada helicoidal da torre sineira. No seu interior, a nave única com um retábulo barroco de talha dourada, do período joanino. Na tribuna, a pintura antiga de São Pedro a receber de Cristo do Céu, oriundo dos finais do século XVII, ou princípios do XVIII, atualmente, encontra-se na parede do lado da Epístola. Nesta igreja foi sepultada a pintora Josefa d’Óbidos e o Padre Francisco Rafael da Silveira Malhão, estando a sua lápide na capela-mor. 
  • Igreja da Misericórdia – na antiga Capela do Espírito Santo, foi aqui a Santa Casa da Misericórdia, fundada pela rainha D. Leonor, em 1498. Esta igreja sofreu algumas reformas, principalmente a partir do século XVI, aquando a sua reedificação, mas a mais importante, foi no seu interior durante o século XVII, ordenada pelo Provedor da Misericórdia e Prior de São Pedro, Doutor João Vieira Tinoco. O seu exterior, evidencia-se o portal com uma imagem da Virgem com o Menino, de cerâmica vidrada e pintada, de madeiras datadas de 1623. Já o interior, composto por uma nave revestida por azulejos azuis e amarelos do padrão dos anos 1625-30, destaca-se também o conjunto de talha maneirista amoldado pela tribuna dos mesários e pelos retábulos. A capela-mor apresenta um retábulo do entalhador Manuel das Neves, contendo duas pinturas de André Reinoso, a Visitação da Virgem a Santa Isabel e o Pentecostes, remontados a 1628-1630. Uma vez mais reformada: sua fachada acolhe um escudo real, encimando o portal da igreja e outro no arco triunfal, a pintura sobre este arco, dois armários laterais da capela-mor e o teto da nave, com armas reais no centro. Ainda se destaca o púlpito de pedra lavrada de 1596, decorado por cartelas e volutas, ostentando uma urna para a recolha de ofertas, e uma laje tumular armoriada de D. Luísa Guerra, Condessa de Cavaleiros. Na capela-mor salienta-se a imagem de Cristo Crucificado, oriundo do século XVII e as imagens da Virgem com o Menino, Santo António e São José. Na igreja é possível encontrar uma bandeira da Santa Casa da Misericórdia, pintada por Diogo Teixeira em 1592, cuja parece representar as feições de D. António, Prior do Crato. Em anexo a esta igreja está o Hospital da Misericórdia, com a Sala de Sessões numa decoração barroca. 
  • Igreja de Santa Maria – situada na praça de Santa Maria, é a principal igreja de Óbidos. Desconhecida a sua data de edificação, esta foi entregue a São Teotónico, companheiro de D. Afonso Henriques, este era grande figura da Igreja e prior do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, estando padroado até D. João III, a ter doado a sua esposa, rainha D. Catarina de Áustria. No final do século XV, esta foi reformada pela rainha D. Leonor, na qual a torre sineira encostada à fachada e coberta por coruchéu piramidal de oitavado. Em 1570, esta encontrava-se quase em ruínas, após o terramoto de 1535, mas foi planeado a sua reconstrução. Sendo que a 15 de agosto de 1571, no dia da Assunção de Nossa Senhora, foi lançada a primeira pedra, juntamente com procissão e um aparato religioso, seguindo-se pelas obras, sob a proteção da Rainha D. Catarina e do Prior D. Rodrigo Sanches, clérigo espanhol, que era esmoler-mor da Rainha e uma figura de prestígio na corte de Carlos V. Destas obras resultou o edifício atual. 
  • Pelourinho e Telheiro – o telheiro encontra-se na Praça de Santa Maria e serviu de mercado até ao início do século XX. Está junto ao pelourinho, que por sua vez é uma coluna de pedra, um símbolo de poder Municipal, e apresenta as armas reais e o camaroeiro símbolo da rainha D. Leonor. Situado por cima do chafariz. 
  • Aqueduto – mandado erguer pela rainha D. Catarina de Áustria, esposa de D. João III, tem um comprimento de três quilómetros. Esta construção foi totalmente financiada pela rainha, que em troca recebeu a várzea, conhecida como Várzea da Rainha. 

Museus
  • Museu Municipal de Óbidos – inaugurado a 15 de junho de 1970 e integra na Rota de Museus do Oeste e é sede da Rede de Museus e Galerias de Óbidos. A fundação deste museu proveio da necessidade de juntar as realizações culturais, como a Exposição de Arte Sacra, em 1954, e a Evocação de Josefa de Óbidos, em 1959, promovendo o encerramento do museu regional, num espaço limitado da capela gótica de São Martinho, onde se encontrava a coleção de arqueologia e fragmentos arquitetónicos, pertencente ao tenente-coronel Luís Torquato de Freitas Garcia. A exposição permanente neste museu conta a produção artística e devoção religiosa da Vila. Testemunhando ações das colegiadas religiosas e do enriquecimento cultural marcado alguns dos maiores nomes da Arte Portuguesa, nomeadamente a coleção de pintura dos séculos XVI e XVII, de André Reinoso e Josefa d’Óbidos.
  • Museu Paroquial de Óbidos – Construído por Rainha Santa Isabel, em 1309, unido por uma galilé a uma leprosaria, afastada da vila. A sua estrutura atual resulta de obras realizadas ao longo do século XVI, após a sua integração nos bens da Santa Casa da Misericórdia de Óbidos, que fundou uma nave única e a capela-mor coberta por uma abóbada de nervuras ogivais, ostentando a Cruz de Cristo, no fecho central. Sob o reinado de D. João III, são realizadas novas obras, entre 1530 e 1550, em que a nave é ampliada, a galilé é fechada e no exterior são colocados contrafortes e um novo portal de estilo clássico. Entre 1540 e 1550, é instalado um retábulo de Garcia Fernandes, sendo constituído por sete tábuas, com cenas de Martinho de São Vicente. Em 1636, para esta igreja é transitada a sede da paróquia de São João Bapista do Mocharro. O terramoto de 1755 afetou o templo, correspondendo à torre sineira e atual retábulo da capela-mor, talha rococó, com uma tela de representação de São João Baptista. O museu terá sido um ponto de encontro entre a comunidade e as suas raízes, tal como fator de crescimento cultural, sendo um incentivo ao estudo e divulgação dos momentos e bens artísticos e históricos da igreja. 
  • Museu Abílio de Mattos e Silva – nascido pela vontade de sua esposa Maria José Salavisa, este estava previsto para a Casa do Facho, em 2002, porém tal foi abandonado e passou para o edifício dos antigos Paços do concelho, em articulação com a Casa do Arco, onde Abílio de Mattos e Silva, pinto, cenógrafo e figurinista, viveu. 
  • Galeria NovaOgiva – é uma extensão de arte contemporânea da Rede de Museu e Galerias, que apostam na expressão artística, de qualidade, proveniente da recuperação de uma ideia e de um espaço. Este espaço foi fundado em Óbidos, em 1970 por José Aurélio, e teve três anos de grande atividade artística, cultural, cidadania e liberdade. Após trinta anos de inatividade, a Galeria abre as suas portas como um marco na História da Arte, Arquitetura e da própria história da Vila e dos Museus de Óbidos, sendo um ponto para exposições e manifestações culturais, associadas à arte contemporânea. 
  • Galeria Casa do Pelourinho – inaugurado no ano de 2004, este visa a apresentação de eventos de relevância cultural, nomeadamente arte contemporânea, promovendo a prática e novos talentos, que se vão firmando no panorama artístico, tanto em Portugal e como a nível internacional. 

Dona Josefa d’Óbidos nasceu em Sevilha, no ano de 1630, descolou-se para Portugal, onde seu pai, pintor Baltazar Gomes Figueira, era natural, sendo conduzida para o noviciado, em Coimbra, onde desenvolveu a sua primeira obra de arte, a representação de Santa Catarina (1646). Não conseguindo se adaptar ao convento, Josefa mudou-se para Óbidos e inicia a atividade na área de pintura, primeiramente colaborando com o seu pai e depois de forma autónoma, adquirindo fama nacional e internacional. Josefa quebrou muitos dos cânones de uma sociedade masculina, em que se estabeleceu como pintora profissional, uma verdadeira expoente, artista com grandes capacidade criativa e apurado sentido estético e domínio técnico.

As suas marcas mais importantes e definições artísticas de Josefa d’Óbidos são o estudo da luz e dos contrastes, compondo a corrente proto-barroca de matriz peninsular, relacionadas com a pintura sevilhana e madrilena. Porém, Josefa não consegue superar alguns dos nomes mais importantes da pintura seiscentista peninsular, mas acrescenta-lhes uma nova tónica, em que o misticismo doloroso, violento e majestático, desenvolve-se para o misticismo terno, representado nos Meninos Salvadores do Mundo, com vestimentas translúcidas, rendadas e decoradas com joias e flores, oferecendo um carácter singelo, mas também intimista, representados no Senhor da Cana Verde ou na Toalha de Verónica.

Josefa d’Óbidos falece em Óbidos, em 1684, com uma vasta obra desenvolvida e espalhada pelo país e estrangeiro, porém, muito das suas obram foram desaparecendo com o tempo, com mudança de estilos artísticos e com o terramoto de 1755. O seu legado artístico tem vindo a merecer um interesse por parte de historiadores de arte e museólogos, registada em exposições da Academia Nacional de Belas-Artes (1942), no Museu de Arte Antiga de Lisboa (1949), em Óbidos, na Igreja de São Tiago (1959), na Galeria Ogiva (1971) e no Solar de Santa Maria (1984), na Galeria de Pintura do Rei D. Luís no Palácio da Ajuda (1992) e, mais recentemente, no National Museum of Womem in Arts de Washington e em Londres, no Instituto Italiano (1997), onde esteve patente, também, a presente obra.
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